As principais praças europeias fecharam sem direção única em sessão marcada pela cautela. A notícia de potenciais avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã trouxe algum alívio ao mercado, mas a fragilidade de um cessar‑fogo e o risco de perturbação na navegação pelo Estreito de Ormuz limitaram o apetite a ativos de maior risco. Em Londres o FTSE 100 subiu 0,29% (10.589,99 pontos) e em Frankfurt o DAX avançou 0,35% (24.150,54), enquanto Paris, Milão, Madri e Lisboa registraram quedas.
Além do fator geopolítico, veio ao mercado a revisão para cima da inflação na zona do euro, para 2,6% em março — leitura que reforça pressões sobre preços e alimenta dúvidas sobre o horizonte de política monetária. Economistas consultados pelo mercado apontam risco de aceleração temporária da inflação, cenário que tende a reduzir o espaço para uma rápida acomodação por parte dos bancos centrais.
Setorialmente, tecnologia foi dos destaques positivos, enquanto companhias aéreas ficaram sob pressão: easyJet caiu cerca de 5,8% ao revisar previsões diante de custos com combustível; KLM e Lufthansa recuaram perto de 3,7% e 3,1%, respectivamente. Por outro lado, petroleiras como TotalEnergies (+0,8%) e Repsol (+2,2%) se valorizaram com a perspectiva de preços de energia mais elevados, e o setor bancário teve movimentos pontuais — Monte dei Paschi subiu 2,3 após mudança de governança.
O balanço é de um mercado que não quer assumir posições até ter confirmação de avanços diplomáticos e sinais mais claros sobre oferta de petróleo. Para investidores e formuladores de política, a combinação de risco geopolítico e inflação revisada amplia a probabilidade de episódios de volatilidade e exige monitoramento atento dos indicadores de energia e dos comunicados das autoridades monetárias.