As bolsas europeias operavam em baixa na manhã desta sexta-feira (8), em reação à nova escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã e à ameaça tarifária do presidente americano. Por volta das 6h25 (de Brasília) o índice pan-europeu Stoxx 600 recuava 0,56%, a 612,96 pontos. Londres caía 0,19%, Paris 0,62% e Frankfurt 0,64%; Milão era exceção, subindo 0,15%.
O movimento foi influenciado por novos confrontos navais: o Comando Central dos EUA informou que embarcações americanas foram alvo de uma ofensiva iraniana no Estreito de Ormuz, descrita como “ataques não provocados”, e que Washington retaliou com ataques a instalações militares em território iraniano. O presidente Donald Trump minimizou o episódio, dizendo que o cessar-fogo segue em vigor. O petróleo subiu durante a madrugada e depois oscilou perto da estabilidade na manhã.
Além do fator geopolítico, investidores repercutiam a ameaça de Trump de impor “tarifas muito mais altas” à União Europeia caso compromissos comerciais com Washington não sejam cumpridos até 4 de julho. A advertência acrescenta risco ao ambiente de comércio internacional e arrisca pesar sobre setores dependentes de cadeias globais e de exportação.
No plano corporativo e macro, o Commerzbank divulgou lucro operacional recorde, mas anunciou corte de cerca de 3 mil vagas—num contexto em que o italiano UniCredit tenta a compra do banco; as ações do Commerzbank e do UniCredit recuavam, respectivamente, 0,90% e 1,1%. Ao mesmo tempo, a produção industrial da Alemanha decepcionou com queda inesperada de 0,7% em março, reforçando sinais de fraqueza na atividade. O conjunto das notícias eleva a volatilidade e complica decisões de investidores e formuladores de política na Europa, que passam a enfrentar um dilema entre riscos geopolíticos, pressão sobre lucros bancários e necessidade de sustentar a recuperação industrial.