As bolsas da Europa fecharam majoritariamente em baixa nesta quarta-feira, com o setor de luxo puxando grande parte das perdas e a guerra entre EUA e Irã mantendo investidores em alerta. Em Londres o FTSE 100 caiu 0,47%, a 10.559,58 pontos; em Paris o CAC 40 recuou 0,64%, a 8.274,57; já o DAX em Frankfurt subiu 0,18%, a 24.087,42. Milão, Madri e Lisboa também fecharam no vermelho, segundo cotações preliminares.

O setor de luxo liderou o movimento negativo, com perda média de 3,03% no dia. Kering despencou 9,2% após recuo nas vendas da Gucci, e Hermès caiu 8,2%, sinalizando fragilidade momentânea na demanda por bens de alto padrão e ampliando a volatilidade nos índices que dependem dessas blue chips.

A oscilação do petróleo, alimentada pelo risco de fechamento do Estreito de Ormuz, manteve a cautela. Para o ANZ, um choque de energia ligado ao conflito representa risco estagflacionário; a Columbia Threadneedle alerta que qualquer normalização do tráfego será gradual; o Goldman Sachs, por sua vez, aponta redução do prêmio de risco no petróleo com aumento das chances de negociação. A BP recuou cerca de 0,5% em meio a essa oscilação.

Destaques setoriais incluíram a queda de 4,1% da ASML em Amsterdã, apesar de projeções de vendas maiores por demanda de IA, e a alta de 1,9% da Stellantis em Frankfurt devido a aumento de embarques. No macro, a produção industrial da zona do euro avançou 0,4% em fevereiro, acima do esperado, enquanto comentários de dirigentes de bancos centrais nas reuniões de Primavera do FMI mantêm o foco dos investidores. O conjunto — resultados corporativos fracos e risco geopolítico persistente — complica a trajetória da inflação e as escolhas de política monetária, deixando os mercados mais sensíveis a novos choques.