As principais bolsas da Europa fecharam a sessão de sexta-feira em terreno positivo, apoiadas pela queda do petróleo e pela valorização de ações ligadas à inteligência artificial. O FTSE 100 subiu 0,14% (10.695,25 pontos), o DAX avançou 0,51% (25.396,22) e o FTSE MIB ganhou 0,63% (51.866,93). Paris ficou praticamente estável, com o CAC 40 recuando 0,04%.

O otimismo setorial amenizou, porém, sinais macroeconômicos mais fracos na região. A confiança do consumidor na Alemanha, medida pela GfK, caiu para -30,6 pontos na projeção de outubro (ante -26,8 em setembro) e o PIB espanhol cresceu 0,6% no 2º trimestre — abaixo da estimativa de 0,7%. No Reino Unido, o governador do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, advertiu que preços de energia persistentemente altos complicam a manutenção dos juros.

No leque de setores, ações ligadas à IA lideraram os ganhos após novo acordo de computação anunciado pela Anthropic: ASML subiu 1,6%, STMicroelectronics avançou 0,8%, Infineon +1,2% e Siemens Energy +1,4%, enquanto o subíndice de tecnologia subiu 1%. Bancos também tiveram desempenho firme (+1,1%), com UBS disparando 3,3% diante de notícias sobre debate interno sobre capital e estratégia institucional.

O recuo do petróleo, por sua vez, pesou sobre empresas de energia: BP (-2,3%), Shell (-0,9%), TotalEnergies (-1,2%), Repsol (-2,1%) e Eni (-1,1%) fecharam no vermelho. A Airbus perdeu 1,2% após reportar um problema de qualidade na fuselagem do A321neo, sem risco imediato para segurança. Em Estocolmo, a farmacêutica Nanexa saltou 102,7% após acordo de até US$ 1,3 bilhão com a Novo Nordisk.

O quadro entrega um sinal duplo: a queda dos preços de energia reduz pressões inflacionárias e dá fôlego a setores sensíveis ao custo da commodity, mas a deterioração da confiança e o crescimento aquém do esperado limitam a leitura de recuperação ampla. Investidores seguem cautelosos, monitorando reabertura do Estreito de Ormuz e próximos dados macro — o mercado precisa de mais evidências antes de alterar consistentemente o ciclo de risco.