As principais bolsas europeias fecharam majoritariamente em baixa na quinta-feira (28), mesmo após a circulação de notícias sobre um acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã. Em Londres, o FTSE 100 recuou 0,69% para 10.432,70 pontos; Frankfurt viu o DAX cair 0,30% até 25.102,61; e Paris terminou com queda de 0,23%, em 8.188,87 pontos. O resultado mostra que a sinalização política não foi suficiente para reverter o clima de cautela.
Nem todas as praças operaram no vermelho: o índice de Milão avançou 0,50%, impulsionado por ganhos de empresas do setor de defesa. Na prática, ações ligadas à indústria bélica registraram alta — a Saab subiu 7,36% em Estocolmo e a italiana Leonardo saltou 5,44% em Milão — enquanto o setor de tecnologia também teve desempenho positivo, com o subíndice europeus subindo 0,72%.
Analistas apontaram que a notícia sobre o acordo, reportada por veículos como a Axios, prevê medidas como liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e suspensão gradual de bloqueios navais, mas depende de aprovações políticas dos EUA e do Irã. No front institucional, o comissário de Indústria da UE, Stéphane Séjourné, anunciou ampliação do uso de defesas comerciais para proteger setores industriais, reforçando agendas de segurança econômica.
No radar macro, o índice de sentimento econômico da zona do euro veio acima do esperado, mas a ata do BCE trouxe um recado claro: dirigentes não descartam nova alta de juros para conter a inflação. A combinação de incerteza geopolítica e a continuidade da normalização monetária mantém os investidores cautelosos, criando ambiente de volatilidade em que notícias políticas têm impacto limitado frente a riscos reais para a estabilidade e para a trajetória dos custos de capital.