As bolsas europeias fecharam sem direção única nesta sexta-feira (5), em um dia dominado pela liquidação em ações ligadas a semicondutores e pela reavaliação das expectativas de política monetária nos EUA. Em Londres o FTSE 100 subiu 0,07% (10.368,05 pontos), enquanto em Frankfurt o DAX caiu 0,69% (24.773,72). Paris teve queda de 0,32% (8.218,24), Milão recuou 0,56% (49.893,05) e Madri avançou 0,46% (18.359,80).

O setor de chips ampliou as perdas após reação negativa ao balanço da Broadcom. Em Frankfurt a Infineon perdeu cerca de 8,7%, em Amsterdã a ASML recuou quase 2,2% e, em Helsinque, a Nokia cedeu mais de 5,8%, devolvendo parte de ganhos recentes. No contraste, nomes específicos tiveram movimentos fortes: a Raspberry Pi disparou 25,8% em Londres com projeção de lucro acima do mercado, a Evoke subiu 11,8% após aceitar proposta de aquisição, e a Bodycote caiu 12,9% após a desistência de interesse da Apollo.

O quadro macro pressionou ainda mais o apetite por risco. Uma revisão técnica mostrou que o PIB da zona do euro encolheu 0,2% no 1º trimestre, ante alta de 0,1% estimada anteriormente. Nos EUA, o payroll de maio veio acima do esperado, reforçando as apostas em novas altas de juros pelo Fed ainda neste ano. Na Europa, o debate sobre taxas também esquenta às vésperas da reunião do BCE; o Commerzbank já prevê aumento nas principais taxas e sinalização de futuros apertos.

O resultado é um mercado mais seletivo e volátil: setores sensíveis ao custo de capital recuam, enquanto operações pontuais seguem movimentando papéis isolados. Para investidores e gestores, o mix de revisão negativa do crescimento europeu, dados de emprego americanos e o risco geopolítico no Oriente Médio amplia a necessidade de cautela — e complica a narrativa de retomada sem custos para os bancos centrais.