As bolsas da Europa fecharam majoritariamente em queda nesta quarta-feira, em um pregão marcado pela cautela. Em Londres o FTSE 100 recuou 1,16% (10.213,11 pontos), em Frankfurt o DAX caiu 0,31% (23.943,74), e em Paris o CAC 40 perdeu 0,39% (8.072,13). Milão, Madrid e Lisboa também terminaram no vermelho. O movimento refletiu prevalência do avesso ao risco diante de fatores externos e expectativas de política monetária.
O principal gatilho foi a nova alta do petróleo em meio ao impasse entre EUA e Irã, que reacende pressões inflacionárias globais. Analistas como a LPL Financial sugerem que o aperto na oferta física pode estar sendo subestimado, enquanto gestoras apontam que preços acima de US$ 85 mantêm elevadas as expectativas de inflação e a volatilidade nos juros, complicando o cenário para bancos centrais.
No plano macro, o índice de sentimento econômico da zona do euro caiu para 93 em abril, abaixo do esperado, e a inflação na Espanha acelerou para 3,5% no mês — o maior registro desde junho de 2024. Esses sinais reforçam que a recuperação de confiança é frágil e que decisões iminentes do Fed, além dos anúncios do BCE e do BoE, devem orientar os próximos movimentos dos mercados.
Balanços corporativos trouxeram resultados mistos: Adidas saltou cerca de 8% em Frankfurt após surpresas positivas, UBS subiu cerca de 3% e Santander avançou 1,2%, enquanto Deutsche Bank caiu 1,9% após provisões maiores. O setor de energia foi o único com ganhos setoriais notáveis (+0,8%). No geral, os números das empresas foram insuficientes para neutralizar o impacto do petróleo e do quadro macro, cenário que acende alerta para mais volatilidade se o Fed sinalizar endurecimento.