Por volta das 6h45 (de Brasília) desta sexta-feira, o índice pan‑europeu Stoxx 600 subia 0,16%, a 625,43 pontos, em sessão marcada por ganhos modestos em bancos (+0,27%) e montadoras (+0,34%) e por queda do setor de tecnologia (-1,7%). Entre semicondutores, a Infineon recuou 6,9% em Frankfurt e a ASML caiu 3,1% em Amsterdã, refletindo o impacto do tombo da Broadcom em Nova York na véspera.
A disparada negativa nas ações de tecnologia — que vinham sendo impulsionadas pelo otimismo em torno da inteligência artificial — espalhou‑se da NYSE para mercados asiáticos e europeus, limitando o apetite por risco. O movimento evidencia a fragilidade de uma alta concentrada em poucos nomes e a sensibilidade dos mercados a revisões de guidance corporativo.
No campo macro, a revisão do PIB da zona do euro para queda de 0,2% no primeiro trimestre (ante crescimento de 0,1% estimado anteriormente) sugere impacto maior da guerra no Oriente Médio sobre a atividade. O petróleo cai pelo segundo dia, mas o choque nos preços de energia já aparece nas contas: analistas e operadores elevam as apostas de que o BCE vai subir suas taxas na reunião da próxima semana.
O resultado é um quadro mais complexo para formuladores e investidores: crescimento mais fraco, pressão inflacionária por energia e volatilidade em tecnologia aumentam o dilema entre conter a inflação e não sufocar a recuperação. No mercado, a recomendação óbvia é maior seletividade — ganhos setoriais existem, mas a amplitude do rali ficou visivelmente reduzida.