As principais praças acionárias da Europa fecharam majoritariamente em baixa nesta terça-feira (29). Em Londres, o FTSE 100 recuou 0,45%, a 10.636,71 pontos; o DAX de Frankfurt ficou estável, a 25.375,29 pontos; em Paris, o CAC 40 cedeu 0,53%, a 8.035,87 pontos; enquanto o FTSE MIB de Milão avançou 0,09%, a 51.804,94 pontos. Em Madri, o Ibex 35 caiu 0,34%, a 19.533,60 pontos, e em Lisboa o PSI 20 perdeu 0,48%, a 9.666,08 pontos.
O setor de energia limitou a sessão. A retomada de exportações pelo Mar Vermelho pela Arábia Saudita pressionou os preços do petróleo, e grandes nomes do setor — como TotalEnergies, Shell e BP — chegaram a recuar até 2%, acompanhando a oscilação da commodity. Para o dirigente do BCE, Peter Kazimir, os preços da energia seguem sendo fator decisivo para a definição dos próximos passos da política monetária.
A dimensão fiscal do choque também aparece no balanço: desde o início do conflito no Oriente Médio, os países da União Europeia teriam desembolsado mais de €100 bilhões adicionais em importações de energia, um custo que reforça a sensibilidade das autoridades quanto a inflação e à necessidade de calibrar as taxas.
No lado positivo, papéis ligados à tecnologia e à IA sustentaram pontos de recuperação. ASML avançou 4,76% e ASM International subiu 4,45% após correções da sessão anterior, num movimento que analistas do UBS interpretam como subestimação do mercado sobre a durabilidade dos gastos com IA. Também se destacaram movimentos idiossincráticos: Julius Baer saltou 6,79% com plano de recompra após encerramento de investigação, enquanto a AB InBev cedeu 3,5%.
O resultado é um mercado dividido: a tensão geopolítica e o impacto imediato nos preços de energia puxam para baixo a confiança e complicam a comunicação do BCE, ao passo que a aposta em semicondutores e gastos com IA cria bolsões de alta. Para investidores e formuladores de política, a combinação exige cautela — há espaço para recuperação setorial, mas a incerteza sobre energia mantém a agenda econômica europeia sujeita a riscos.