As bolsas europeias fecharam em queda nesta segunda-feira (4), pressionadas pelo temor de uma escalada comercial entre Estados Unidos e União Europeia e por incertezas geopolíticas no Oriente Médio. A possibilidade de novas tarifas sobre automóveis elevou a aversão a risco, enquanto o avanço do petróleo reacendeu preocupações com pressões inflacionárias e custos para empresas.

Os principais índices registraram perdas generalizadas: o DAX em Frankfurt caiu 1,06% a 24.035,56 pontos; o CAC 40 em Paris recuou 1,71% a 7.976,12 pontos; o FTSE MIB em Milão cedeu 1,59% a 47.478,13 pontos; o Ibex 35 em Madri caiu 2,59% a 17.320,40 pontos; e o PSI 20 em Lisboa recuou 1,89% a 9.168,05 pontos. A bolsa de Londres não operou por conta de um feriado bancário.

No front econômico, o PMI da zona do euro subiu a 52,2 em abril — o maior nível em 47 meses — sinalizando resiliência na manufatura. Ainda assim, dirigentes do Banco Central Europeu reforçaram um viés de aperto: François Villeroy de Galhau defendeu postura “prudente, mas vigilante”, e Peter Kazimir afirmou que uma alta de juros em junho é “praticamente inevitável”. Esses sinais aumentaram a sensibilidade do mercado a choques externos.

O setor automotivo foi o mais atingido, com recuo de cerca de 2,3% após o presidente dos EUA ameaçar elevar tarifas a 25% sobre carros. Entre as montadoras, Continental caiu cerca de 0,5%, Mercedes-Benz e Volkswagen recuaram mais de 3% e 2%, respectivamente, e a BMW caiu perto de 2,7%. A federação industrial alemã alertou para o risco das medidas de Washington ao complexo industrial do país.

Analistas da Bernstein apontam que a UE pode tentar neutralizar a ameaça americana acelerando um acordo industrial, em resposta a críticas sobre lentidão nas iniciativas do bloco. No mercado industrial, Thyssenkrupp recuou cerca de 2,5% após suspender negociações pela venda de parte da unidade siderúrgica; em contrapartida, a Nokia subiu 7% após anunciar desinvestimento focalizado em infraestrutura de redes e IA. O episódio expõe um dilema político-econômico: medidas protecionistas externas podem pressionar custos, alimentar inflação importada e obrigar o BCE a manter política monetária mais restritiva, com impacto direto no crescimento e na confiança dos investidores.