As principais bolsas europeias fecharam predominantemente em alta nesta sexta-feira, em reação ao anúncio de Teerã de que o Estreito de Ormuz estaria novamente aberto ao tráfego comercial no contexto do cessar‑fogo entre Líbano e Israel. O otimismo reduzido sobre uma escalada regional refletiu-se em ganhos: FTSE 100 subiu 0,73% (10.667 pontos), DAX avançou 2,25% (24.698 pontos), CAC 40 teve alta de 1,97% (8.425 pontos) e IBEX 35 cresceu 2,01% (18.453 pontos). Em contraste, a praça de Lisboa recuou modestamente.
O movimento foi acompanhado por um forte recuo do petróleo — próximo de 12% —, que pressionou rapidamente as ações do setor energético. Entre as perdas destacaram‑se TotalEnergies (-5%), BP (-7,5%) e Shell (-5,48%). Na outra ponta, companhias aéreas registraram ganhos relevantes, com Lufthansa (+6%), Air France‑KLM (+7,51%) e EasyJet (+6,9%), ante a perspectiva de redução de riscos logísticos e de abastecimento.
O quadro, porém, permanece frágil. Autoridades americanas e iranianas trocam sinais ambíguos: enquanto o governo dos EUA afirmou que Teerã aceitou não fechar mais o Estreito e interromper enriquecimento de urânio, agências estatais iranianas condicionaram a reabertura ao fim de medidas como o bloqueio naval americano. Esse equilíbrio tênue acende alerta sobre a durabilidade do alívio e mantém um componente de risco geopolítico que pode voltar a inflamar preços.
Analistas e autoridades monetárias lembram que a volatilidade recente não neutraliza o choque energético no curto prazo. Christine Lagarde, do BCE, e Huw Pill, do Banco da Inglaterra, ressaltaram que a evolução dos preços dependerá da intensidade e da duração do conflito — variável que complica a narrativa de normalização e pode pressionar decisões de política monetária. Investidores também acompanham ruídos políticos domésticos no Reino Unido, que acrescentam incerteza ao ambiente europeu.