As principais praças da Europa fecharam em queda nesta segunda-feira (13), com o petróleo retomando a faixa de US$100 por barril após o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã. O movimento elevou o prêmio por risco nos mercados e reacendeu a aversão a ativos mais ligados ao ciclo global.

Os recuos foram modestos, mas generalizados: FTSE 100 -0,17% (10.582,96 pontos), DAX -0,23% (23.749,49), CAC 40 -0,29% (8.235,98), FTSE MIB -0,17% (47.527,16), Ibex 35 -0,99% (18.023,80) e PSI 20 -1,04% (9.359,51). O subíndice de turismo e lazer do Stoxx 600 perdeu 0,9% e o de tecnologia caiu 1,1%, enquanto o setor de energia avançou 0,8%, alinhado à alta do petróleo.

O impacto foi mais visível na aviação: ações como Wizz Air (-5,44%) e easyJet (-2,36%) lideraram perdas, com Air France-KLM (-4,15%), Lufthansa (-2,24%) e IAG (-1,44%) também pressionadas. Analistas lembram, contudo, que a cobertura de combustível elevada em março deve atenuar efeitos nos resultados do primeiro trimestre, segundo o Barclays.

No plano político e de políticas públicas, a Alemanha anunciou redução temporária do imposto sobre energia em diesel e gasolina por dois meses, medida paliativa diante da pressão sobre preços. Ainda assim, declarações do dirigente do BCE Boris Vujcic de que os custos de energia seguem próximos ao cenário base não eliminam a preocupação: a combinação de choque de oferta e risco geopolítico pode complicar a trajetória da inflação e ampliar a volatilidade financeira.

A escalada das tensões ganhou contornos militares após relatos de que as Forças Armadas dos EUA se preparam para bloquear o Estreito de Ormuz e portos iranianos, segundo o presidente dos EUA. Esse risco geopolítico imediato é o elemento que mais eleva a incerteza nos mercados e pode forçar reprecificações rápidas se as negociações não avançarem.