As principais bolsas da Europa encerraram a sessão desta segunda-feira em baixa, refletindo um movimento global de aversão a risco após a agência iraniana Tasnim informar a suspensão das conversas indiretas entre Teerã e Washington e diante de novos ataques israelenses no Líbano. O aumento da incerteza geopolítica reforçou ganhos do petróleo e alimentou preocupações sobre pressões inflacionárias e enfraquecimento do crescimento.
No fechamento, o FTSE 100 caiu 0,68% em Londres (10.338,95 pontos), o DAX recuou 0,44% em Frankfurt (24.994,13 pontos) e o CAC 40 perdeu 0,45% em Paris (8.146,59 pontos). Milan e Iberia também registraram perdas: FTSE MIB (-0,52%) e Ibex 35 (-1,22%), enquanto o PSI 20 de Lisboa fechou em queda de 1,27%. Setorialmente, o segmento de energia subiu 1,7%, enquanto recursos básicos tiveram alta mais modesta (0,68%).
Movimentos seletivos marcaram o pregão: a easyJet avançou 7,66% em Londres após a Castlelake avaliar oferta pela aérea; empresas ligadas à inteligência artificial ganharam 1,3% com anúncio do SoftBank; e a Universal Music reverteu perdas e fechou em alta de cerca de 0,6% após rejeitar proposta não solicitada. Apesar disso, o apetite por risco permaneceu limitado diante do contexto externo.
Dados macro tiveram impacto contido: o PMI industrial da zona do euro foi revisado para 51,6 e o do Reino Unido atingiu 53,9, ambos em território de expansão. Para analistas como o Société Générale, o mercado já precifica alta do BCE com probabilidade elevada — cenário que, combinado à escalada geopolítica e à pressão sobre o petróleo, complica a equação entre controle da inflação e sustentabilidade do crescimento, mantendo investidores cautelosos.