As principais bolsas da Europa encerraram o pregão de quinta-feira em terreno negativo diante da combinação entre volatilidade do petróleo, nervosismo com as negociações entre Estados Unidos e Irã e a leitura mais restritiva da ata do Fed sobre inflação. O clima de cautela dominou operadores, que revisaram preços de risco e horizonte de rendimento dos ativos.

Os índices registraram movimentos mistos: em Londres o FTSE 100 subiu 0,11% a 10.443,47 pontos, enquanto Frankfurt (DAX) caiu 0,33% a 24.656,76. Paris (CAC 40) perdeu 0,39%, a 8.086,00 pontos; Milão (FTSE MIB) recuou 0,03% a 49.168,70; Madri (Ibex 35) caiu 0,16% a 18.022,60; e Lisboa (PSI 20) ressaltou baixa de 0,22% a 9.227,99. Cotações são preliminares.

No front geopolítico, relatos iniciais de que o líder supremo do Irã teria ordenado manter urânio enriquecido próximo ao grau militar elevaram o risco de insucesso nas negociações; a informação foi depois negada por autoridade iraniana, mas o episódio alimentou a volatilidade do petróleo e a aversão a risco dos investidores.

Do lado macro, o PMI composto da zona do euro caiu para 47,5 em maio — menor nível em 31 meses — e o PMI do Reino Unido recuou para 48,5. A S&P Global apontou que os dados sinalizam contração de 0,2% no segundo trimestre do bloco. Paralelamente, a ata do Fed reacendeu preocupações com inflação persistente, reforçando apostas por juros mais altos e pressionando custo de capital.

Setores sobreviveram a ritmos distintos: Ubisoft desabou mais de 5% em Paris após adiar metas de lucratividade e geração de caixa; BT Group caiu cerca de 5% em Londres; easyJet teve leve alta de 0,6% apesar de alertar sobre demanda incerta e custos maiores ligados ao Oriente Médio. Em sentido oposto, ações espaciais como Eutelsat saltaram cerca de 20% com expectativa de abertura de capital da SpaceX, e petrolíferas (Shell e TotalEnergies) avançaram com o suporte do petróleo. Para investidores e formuladores, a combinação de enfraquecimento da atividade e risco geopolítico amplia o desafio de calibrar risco e retorno no curto prazo.