As bolsas europeias fecharam majoritariamente em alta nesta quinta-feira, em um movimento alimentado pelo recuo dos preços do petróleo após sinais de trégua nas negociações entre Israel e Líbano — com incertezas ainda sobre o Irã. Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,27% (10.360,32 pontos); o DAX de Frankfurt avançou 0,48% (24.916,19 pontos); o CAC 40 de Paris ganhou 1,15% (8.244,29 pontos). Por outro lado, Lisboa ficou no vermelho: o PSI 20 perdeu 0,88% (8.919,68 pontos). As cotações mencionadas eram preliminares ao fechamento.
O recuo do petróleo ajudou a reduzir parte do temor inflacionário que vinha pressionando ativos globais, mas a semana ainda está marcada por risco político e decisões de política monetária. O LBBW ressaltou que o sentimento dos mercados permanece sustentado pela expectativa de um acordo entre EUA e Irã; contudo, frustrações passadas com essas negociações mostram que o alívio pode ser temporário. No radar macro, as vendas no varejo da zona do euro recuaram 0,4% em abril ante março, resultado ligeiramente pior que o esperado, o que reforça dúvidas sobre o dinamismo do consumo e complica o cálculo do Banco Central Europeu para a reunião da próxima semana.
As perspectivas de juros mais altos também foram lembradas por projeções de agências e bancos: a Fitch aponta para elevações, enquanto o KBC Bank considera esse movimento já ‘‘totalmente incorporado’’ nos preços. Esse duplo sinal — queda do petróleo versus possibilidade de aperto monetário adicional — explica a natureza seletiva da alta: setores vinculados a crescimento e margem sensível a custo de capital permanecem voláteis.
No campo corporativo, o mercado premiou medidas de reestruturação: a Rémy Cointreau disparou quase 10% após apresentar um plano para elevar lucro operacional até 2029. Em sentido contrário, a Universal Music caiu cerca de 4,5% em Amsterdã após a venda de participação da Pershing Square. O setor de tecnologia seguiu pressionado na esteira dos resultados da Broadcom, que pesaram sobre nomes como a Nokia (queda de ~6%), embora empresas como SAP ainda tenham conseguido estender ganhos (aprox. +5,5%). Entre bancos, o Commerzbank subiu 1,21% e o UniCredit 1,05% depois que o primeiro solicitou ao regulador alemão revisão de níveis de adesão a uma oferta de aquisição — um lembrete de que operações financeiras e regulação continuam a influenciar cotações locais.
Em resumo, o movimento de alta retrata um alívio pontual: menores preços de energia aliviam pressões inflacionárias, mas dados fracos de consumo, a iminência da reunião do BCE e a sensibilidade dos mercados a balanços corporativos mantêm elevado o grau de incerteza. Para investidores e formuladores de política, o recado é claro: ganhos recentes não eliminam vulnerabilidades estruturais — geopolítica e sinais de desaceleração econômica podem facilmente inverter o humor do mercado.