As principais bolsas europeias fecharam majoritariamente em baixa nesta quinta-feira (10), sob combinação de forças: a escalada das tensões no Oriente Médio, que empurrou o preço do petróleo para cima, e a decisão do Banco Central Europeu de apertar a política monetária em 25 pontos-base. Em Londres, o FTSE 100 caiu 0,57% (10.608,92 pontos); em Frankfurt, o DAX recuou 0,69% (25.401,23); em Paris, o CAC 40 perdeu 0,49% (8.116,76); Milão registrou baixa de 0,13% no FTSE MIB (51.807,40) e Madri viu o Ibex 35 cair 0,09% (19.663,38). Lisboa foi a exceção, com o PSI 20 subindo 0,11% (9.455,72).
O BCE justificou o aperto citando que o conflito entre EUA e Irã segue criando pressões sobre os preços, que deverão permanecer acima da meta por período prolongado. A presidente Christine Lagarde destacou o consenso entre os conselheiros na necessidade de agir e o banco revisou para cima suas projeções de inflação para os próximos dois anos, sinalizando menor tolerância a riscos de persistência inflacionária.
Analistas viram a decisão com viés mais hawkish do que o mercado esperava: a Capital Economics classificou o movimento como mais firme e fontes da Bloomberg indicaram que autoridades consideram a possibilidade de nova alta já nos próximos meses. Setores expostos a valor presente, como tecnologia, sentiram o impacto — o índice de tecnologia recuou 1,79% —, enquanto empresas ligadas a energia ganharam com o Brent acima de US$ 105 por barril. Entre papéis afetados, a mineradora Antofagasta caiu mais de 5% diante de temores sobre tarifas; a Associated British Foods recuou em Londres após anunciar expansão para entregas ao domicílio. No lado positivo, a BP subiu 1,2%, a Repsol 0,38% e a TotalEnergies 0,22%.
A combinação de juros mais altos e choque de oferta de energia complica a trajetória de recuperação: pressiona custos de financiamento, reduz valorizações de crescimento e mantém a inflação resilient, reduzindo espaço para afrouxamento futuro. Para investidores, a orientação é de cautela; para bancos centrais, a mensagem é clara: o custo político e econômico de subestimar pressões de preços segue elevado. A reação dos mercados mostra que o BCE escolheu endurecer para tentar preservar credibilidade, mesmo ao custo de mais volatilidade no curto prazo.