As bolsas da Europa encerraram a sexta-feira em queda, com investidores mantidos em estado de cautela diante da falta de progresso nas negociações entre Estados Unidos e Iran por um cessar‑fogo. Em Londres, o FTSE 100 caiu 0,75% (10.379,08 pontos); o DAX recuou 0,06% (24.140,87); o CAC 40 perdeu 0,84% (8.157,82). Milão, Madri e Lisboa também registraram perdas.
O clima de risco foi alimentado por declarações dos EUA: o presidente Donald Trump voltou a ameaçar ação militar caso não haja acordo, e o secretário de Defesa Pete Hegseth pediu maior engajamento europeu. No tabuleiro diplomático, o chanceler alemão Friedrich Merz afirmou possibilidade de aliviar gradualmente sanções ao Iran se houver acordo, enquanto António Costa alertou para desalinhamento de interesses entre Bruxelas e Washington.
Na frente macro, a semana termina com olhos voltados para a decisão de juros do BCE. Investidores processaram dados adversos, com o índice Ifo de sentimento empresarial da Alemanha recuando a níveis da pandemia — movimento que o ING classificou como retorno da economia alemã a um quadro de crise. O mix entre risco geopolítico e enfraquecimento do sentimento industrial complica a leitura sobre inflação e atividade em meio à próxima reunião do banco central.
Balanços corporativos deram alívio pontual: a SAP subiu cerca de 4% após elevar lucro e receita anual e reafirmar guidance; em contrapartida, a Renault caiu 3,3% e a Volvo avançou 1,6%. Ainda assim, os resultados não foram suficientes para dissipar a aversão a risco, deixando mercado sensível a novas notícias sobre Ormuz e à evolução dos indicadores econômicos europeus.