As bolsas europeias abriram em queda na manhã desta sexta-feira, acompanhando uma liquidação global no setor de tecnologia. Por volta das 6h30 (de Brasília) o índice pan-europeu Stoxx 600 recuava 0,63%, a 639,70 pontos, com o setor de tecnologia liderando as perdas, em queda de 2,9%. A rodada matinal traz um recuo que repete o mau humor observado ontem em Nova York e hoje na Ásia.
Papéis ligados a semicondutores foram os mais penalizados: a francesa Soitec caiu cerca de 7% em Paris, enquanto as holandesas ASML e ASMI recuaram 4% e 5% em Amsterdã. Analistas apontam que a pressão se estende há meses sobre ações relacionadas à inteligência artificial, diante do receio de que avaliações tenham subido demais e de que a demanda por memória e processadores possa não corresponder às expectativas de lucro.
A última onda de vendas teria sido catalisada pela revisão de projeção de capex da taiwanesa TSMC, maior fabricante por contrato do mundo, o que reacende dúvidas sobre o ritmo de investimento e a sustentabilidade das margens do setor. Investidores europeus ainda encaram risco externo: as hostilidades entre EUA e Irã impulsionaram o Brent, que chegou a subir quase 2% no início do pregão, reforçando aversão a risco.
No campo macro, a inflação anual ao consumidor da zona do euro desacelerou para 2,8% em junho, segundo a Eurostat — melhora, mas ainda acima da meta de 2% do BCE. Às 6h46, bolsas locais já registravam perdas dispersas: Londres -0,09%, Paris -1,11% e Frankfurt -1,02%, com Milão, Madrid e Lisboa também no vermelho. O recado aos mercados é claro: volatilidade em tecnologia, riscos geopolíticos e inflação persistente mantêm pressão sobre ativos de risco e complicam decisões de alocação.