As principais bolsas da Europa fecharam sem direção única nesta terça-feira, refletindo a cautela dos investidores diante de riscos geopolíticos e riscos domésticos. Em Londres o FTSE 100 subiu 0,11%, a 10.332,79 pontos; Frankfurt viu o DAX recuar 0,18%, a 24.040,29; Paris perdeu 0,46%, a 8.104,09; Milão avançou 0,77%, a 48.040,24; Madri teve alta de 0,60%, a 17.799,20; e Lisboa subiu 0,95%, a 9.265,14. A mistura de resultados mostra que mercados buscam sinalizações concretas antes de assumir posições mais firmes.

No plano geopolítico, a escalada no Oriente Médio permanece no radar: o governo americano disse ter recebido sinais de Teerã sobre dificuldades internas e pedidos ligados à passagem pelo Estreito de Ormuz, enquanto reportagens indicam ceticismo na Casa Branca quanto a propostas iranianas. Analistas e bancos privados avaliam que as tensões seguem elevadas, o que alimenta uma dose extra de aversão ao risco entre investidores europeus.

A turbulência externa ecoa nas expectativas domésticas: o BCE informou que a projeção de inflação pelos consumidores para os próximos 12 meses saltou de 2,5% para 4,0% em março, um salto que complica a comunicação do banco central. O consenso do mercado é que o BCE deve manter os juros na reunião de quinta-feira, mas o aumento das expectativas pressiona a autoridade monetária a justificar sua estratégia e a manter vigilância sobre pressões de preços.

No noticiário corporativo, balanços e revisões de portfólio trouxeram variações pontuais: BP e Novartis registraram ganhos próximos de 1%, enquanto o Barclays recuou 0,18% e a Anglo American caiu 2,66% após reafirmar seu guidance para o ano. Em conjunto, a combinação de incerteza geopolítica, risco político no Reino Unido e sinais de inflação mais alta mantém os mercados em compasso de espera — um cenário que aumenta o custo político e econômico da indecisão para governos e reguladores.