As bolsas europeias fecharam sem direção única nesta segunda-feira, em um pregão marcado pela busca por papéis ligados à inteligência artificial e pela aceleração do petróleo Brent ao maior nível em dois meses. O CAC 40 foi o destaque positivo, com alta de 0,33% a 8.306,15 pontos, enquanto FTSE 100 (-0,08%) e DAX (-0,25%) fecharam em baixa; as cotações foram influenciadas por liquidez reduzida em razão do feriado do Dia do Trabalho nos EUA.
O setor de tecnologia sustentou boa parte do desempenho: o Stoxx 600 Technology subiu mais de 1%, com ASML saltando 2,25% e ASM International acima de 4% em Amsterdã. Em paralelo, o subíndice de energia ganhou mais de 1% com o avanço do petróleo, após relatório do Financial Times sobre ataque a uma refinaria saudita próximo à fronteira com o Iêmen.
A reação do mercado de energia foi acompanhada por valorizações de grandes petroleiras — BP (+1,24%) e Shell (+1,32%) — enquanto mineradoras como Fresnillo (-2,13%) e Antofagasta (-0,43%) sofreram com a volatilidade dos metais. Em Zurique, a Novartis recuou mais de 3% após fracasso em estudo clínico avançado, reduzindo apetite por risco no setor de saúde.
Além do componente de oferta de petróleo, investidores digeriram dados econômicos: o PIB da zona do euro cresceu 0,6% no segundo trimestre, mas a produção industrial alemã caiu em julho. No plano político, a vitória do AfD em eleições estaduais adiciona ruído às reformas e complica o cenário para o governo de Friedrich Merz.
No horizonte imediato está a decisão do Banco Central Europeu, com alta de 25 pontos-base amplamente esperada, mas o mercado busca sinais no tom do comunicado. A combinação entre tensão geopolítica, risco de novos choques de oferta e ruído político acende um alerta sobre pressões inflacionárias e o custo real das políticas monetárias e fiscais na Europa.