As bolsas europeias abriram sem direção única na manhã desta quinta, com o índice Stoxx 600 registrando leve queda de 0,04%, a 620,92 pontos. A mudança no humor reflete duas forças opostas: a esperança por um acordo mais amplo no Oriente Médio, após Israel e Líbano acertarem nova trégua, e sinais de fraqueza na economia doméstica.

O petróleo Brent recuava mais de 2% depois de três sessões de alta, aliviando pressões inflacionárias vindas da energia. Esse movimento, porém, vem acompanhado de dados menos favoráveis: as vendas no varejo da zona do euro caíram 0,4% em abril ante março, pior do que o esperado. Para o BCE, a combinação cria um dilema entre conter a inflação e não sufocar um consumo já em retração — e alimenta apostas sobre uma elevação "preventiva" nas próximas decisões.

A sessão também mostrou dispersão regional: Londres perdeu 0,42%, Paris subiu 0,96% e Frankfurt avançou 0,62%; Milão e Lisboa cederam, enquanto Madri teve ganhos moderados. No front de empresas, a Universal Music caiu cerca de 7% em Amsterdã após informações de venda de participação por parte da Pershing Square, depois de tentativas de aquisição malsucedidas. Em Paris, Rémy Cointreau saltou 10% ao anunciar um plano de recuperação.

O balanço da manhã aponta para mercados ainda sensíveis a notícias políticas e dados macro. O recuo do petróleo pode reduzir riscos inflacionários no curto prazo, mas a fraqueza do varejo e a dispersão entre praças financeiras mantêm a volatilidade. Para investidores e formuladores de política, a lição é clara: avanços diplomáticos oferecem alívio, mas não eliminam tensões econômicas que pressionam decisões sobre juros e finanças públicas.