As bolsas europeias fecharam sem direção única nesta quarta-feira (5), enquanto investidores digeriam balanços e a perspectiva de um acordo envolvendo o Estreito de Ormuz. Em Londres o FTSE 100 subiu 0,08% a 10.888,30 pontos; em Frankfurt o DAX caiu 0,24% a 26.139,03; em Paris o CAC 40 avançou 0,03% a 8.669,30. O índice pan‑europeu Stoxx 600 registou alta de 0,03%, a 657,04 pontos, novo recorde.

No front corporativo, a Glencore saltou cerca de 4% em Londres após lucro semestral robusto e a intenção de uma listagem secundária na Austrália. A Heineken subiu 2,42% em Amsterdã com aceleração de volumes. Em sentido oposto, a Novo Nordisk caiu mais de 4% em Copenhague por vendas abaixo do esperado do Wegovy em comprimidos, apesar de projeções revistas para 2026; a Siemens Energy cedeu 0,25% após divulgação de lucros.

O componente geopolítico ganhou força: o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que um acordo sobre Ormuz pode ser fechado entre quarta e quinta-feira, e o Departamento do Tesouro removeu sanções de contraterrorismo contra empresas iraquianas ligadas ao Irã — uma pré-condição citada por Teerã. A combinação reduz, em tese, o prêmio de risco da rota, mas mantém volatilidade até confirmação dos termos.

No macro, o PMI de serviços da zona do euro atingiu máximo de cinco meses e os PMIs do Reino Unido e da Alemanha foram revisados para cima, enquanto o PPI da zona do euro subiu 4,6% em junho na comparação anual. A leitura é dupla: resiliência da atividade de serviços, mas inflação ao produtor persistente, que acende alerta para a política monetária europeia. Para investidores, o desafio será navegar entre crescimento mais firme e pressões inflacionárias, com os balanços setoriais ampliando a dispersão de risco.