As principais praças europeias abriram a sessão de segunda-feira em baixa, em meio à volatilidade provocada pela escalada de tensões entre EUA e Irã. Por volta das 6h48 (Brasília), Londres caía 0,6%, Paris 1,05% e Frankfurt 1,33%; Milão e Madri recuavam 1,4% e 1,13%, respectivamente, enquanto Lisboa registrava leve alta de 0,21%. O índice pan‑europeu Stoxx 600 perdeu cerca de 1%, em 620 pontos, refletindo aversão a risco.
O recuo acontece após mudança de retórica iraniana sobre o Estreito de Ormuz e declarações do porta‑voz Esmaeil Baqaei indicando que Teerã não planeja, por ora, nova rodada de negociações mediadas pelo Paquistão, segundo a agência Tasnim. A apreensão aumentou com a notícia de que os EUA apreenderam um navio cargueiro com bandeira iraniana durante o fim de semana, reacendendo temores sobre interrupções no tráfego marítimo e pressões sobre preços de energia.
Em Londres, ações de petrolíferas amenizaram a queda do FTSE 100: BP e Shell subiram 3,09% e 2,68%, respectivamente, na manhã, beneficiando-se da aversão a risco e da possível valorização do petróleo. No outro extremo, mineradoras como Antofagasta (-5,1%) e Fresnillo (-2,99%) figuravam entre as maiores perdas, ampliando o impacto setorial sobre os índices.
Além do choque geopolítico, os mercados europeus digeriam fatores locais: incertezas políticas no Reino Unido em torno do premiê Keir Starmer, que enfrenta pressão após a indicação de Peter Mandelson a embaixador em Washington, e dados macroeconômicos na Alemanha. O Destatis informou alta de 2,5% dos preços ao produtor industrial em março sobre fevereiro — o maior ganho mensal desde agosto de 2022, atribuído a custos de energia —, um elemento que pode pressionar inflação e complicar o quadro para a recuperação econômica.