As praças acionárias da Europa abriram em queda expressiva nesta sexta-feira, em resposta ao ressurgimento de temores inflacionários ligados à escalada do preço da energia. Por volta das 6h30 (Brasília), o índice pan‑europeu Stoxx 600 recuava 1,39%, para 607,48 pontos, sinalizando aversão ao risco após a cúpula de dois dias entre Xi Jinping e Donald Trump em Pequim, que terminou sem anúncios de medidas econômicas contundentes.

O petróleo ganhou força — o Brent subiu cerca de 3,4%, superando a casa dos US$109 por barril — à medida que os fluxos no Estreito de Ormuz permanecem comprimidos, amplificando o risco de custos mais elevados para empresas e consumidores. A combinação entre choque de oferta energético e leituras de inflação superiores ao esperado nos principais mercados reacende o debate sobre pressão adicional para políticas monetárias mais rígidas.

O movimento foi amplo: Londres caiu 1,42%, Paris 1,39% e Frankfurt 1,73%; Milão, Madri e Lisboa registraram recuos de 1,74%, 1,45% e 0,51%, respectivamente. Investidores também adotaram postura cautelosa diante de declarações públicas sobre negociações com o Irã e de sinais de que eventuais anúncios comerciais entre EUA e China podem ter mais conteúdo simbólico do que acordos firmes — avaliação que analistas da Capital Economics recomendaram tratar com ceticismo.

Além do fator energético, a instabilidade política no Reino Unido alimenta a aversão ao risco: a possibilidade de fortalecimento de figuras internas ao Partido Trabalhista adiciona imprevisibilidade à agenda doméstica. No conjunto, os eventos aumentam a volatilidade e complicam a avaliação de prazos das políticas macroeconômicas, impondo desafio adicional a investidores e formuladores diante de custos reais para a atividade e para a confiança.