O Bradesco elevou sua previsão de crescimento do PIB para 2026, de 1,8% para 2%, e ao mesmo tempo revisou para baixo a projeção de expansão para 2027, de 2% para 1,5%. O banco passou a estimar também inflação e Selic mais altas nos próximos anos, enquanto a taxa básica hoje se mantém em 14,25%.
No diagnóstico do relatório, há “fortes estímulos” que se contrapõem à política monetária. Medidas de estímulo ao crédito ajudam a moderar a desaceleração imediata, mas o banco alerta que esse impulso tende a se traduzir em maior comprometimento de renda e menor geração de caixa em 2027, pressionando consumo e investimentos.
O Bradesco revisou o IPCA de 2026 de 5% para 5,3% e o de 2027 de 3,7% para 4,1%, citando choques vindos da guerra, alta de preços de alimentos — incluindo efeitos do El Niño — e a resiliência dos serviços. Ao mesmo tempo, nota que o choque em bens industriais deve perder força com o câmbio e petróleo mais calmos.
Como consequência, o banco elevou a projeção da Selic para 13,75% ao fim de 2026 e para 11% em 2027, apesar de ainda esperar cortes até dezembro. O quadro desenhado — estímulos presentes e juros mais altos no horizonte — acende um alerta político e econômico: o alívio temporário do crédito pode encarecer a manutenção do crescimento e complicar as opções de política pública.