O Bradesco anunciou a conclusão da compra da participação que o Banco BV detinha na gestora Tivio Capital, assumindo o controle total do veículo criado a partir da BV Asset. A operação dá sequência à estratégia do banco de ampliar o portfólio destinado a clientes de alta renda e investidores institucionais, com foco em produtos alternativos fora do risco tradicional de mercado.

Agestora, que ganhou a configuração atual após a compra inicial de 51% por parte do Bradesco em 2023, seguirá com governança própria e autonomia operacional, segundo o banco. A justificativa oficial aponta para a necessidade de oferecer aos clientes exposição a soluções mais sofisticadas e diversificação ampliada — uma tendência global que tem atraído grandes bancos e gestores em busca de receitas menos correlacionadas com mercados públicos.

Além do reforço comercial, a integração completa da Tivio na plataforma do Bradesco tem efeitos práticos relevantes: ao distribuir produtos por sua extensa rede, o banco cria vantagem de escala que pode pressionar concorrentes independentes e impulsionar competição por talento na indústria de alternativos. A concentração também levanta dúvidas sobre eventuais conflitos de interesse na comercialização de estratégias exclusivas, mesmo com garantias de autonomia anunciadas.

No plano executivo, Rodrigo Freire assume de forma efetiva a função de CEO da Tivio. Resta observar como o banco equilibrará a expansão da oferta de alternativos com a manutenção de governança e transparência que o mercado institucional exige. A operação, alinhada à busca por novas frentes de receita, insere o Bradesco com mais força num segmento em crescimento — mas amplia o escrutínio sobre práticas de distribuição e sobre o impacto competitivo no mercado de gestão de recursos.