Bradesco e Itaú responderam nesta quarta-feira (15) a questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a compra de carteiras de empréstimos concedidos pelo Banco de Brasília (BRB) a Estados e municípios. O Bradesco informou que atua em consórcio com o Itaú, com participação equivalente de 50% para cada, mas afirmou que o valor é inferior ao citado em reportagem que mencionou R$ 1 bilhão.
O Itaú, por sua vez, disse que uma de suas subsidiárias celebrou instrumento que a compromete a adquirir determinados ativos do BRB, condicionado ao cumprimento de determinados requisitos, e classificou os valores como imateriais para a companhia — razão pela qual não houve fato relevante. O comunicado foi parco em detalhes, sem explicitar montantes, prazos ou garantias envolvidas.
A operação — noticiada pelo Correio Braziliense como envolvendo R$ 1 bilhão e suposta garantia da União — passa a ser acompanhada por dois vetores de interesse público: transparência e concentração de risco. A venda de carteiras públicas para grandes bancos privados reduz exposição imediata do BRB, mas transfere ativos com potencial impacto fiscal e de crédito para o setor privado, sem clareza sobre preço e condições.
A intervenção da CVM e a reserva de informações pelos bancos deixam evidente a necessidade de esclarecimentos públicos: cidadãos e governos estaduais têm o direito de entender quem assume os créditos, em que condições e a que custo. No plano político e institucional, o episódio pode abrir debates sobre gestão de ativos de bancos públicos e sobre o papel de garantias federais em operações entre entes públicos e privados.