O Bradesco anunciou lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 16,2% na comparação anual e avanço de 3,5% frente ao primeiro trimestre. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROE) subiu para 16,2%, levemente acima das projeções compiladas pela LSEG, que indicavam cerca de R$ 7,0 bilhões e ROE de 16,08%. O resultado reafirma a capacidade do banco de sustentar rentabilidade em nível elevado.

Ao mesmo tempo, o balanço mostra sinais de maior tensão no crédito. A carteira alcançou R$ 1,1 trilhão, com expansão de 11,6% em 12 meses e 4,3% desde março, mas a inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,3% (ante 4,1% um ano antes). As despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) saltaram 22,6% em um ano, chegando a R$ 10 bilhões no trimestre. Esses números apontam para um custo do crédito em elevação que corrói parte do ganho operacional.

Do ponto de vista econômico e de mercado, a combinação de carteira mais ampla e maior provisionamento impõe um trade-off: crescimento com maior risco de crédito. Para os investidores, o balanço traduz resiliência estrutural; para a administração, sinaliza a necessidade de ajustes na precificação do risco e na eficiência na cobrança. Se a tendência de aumento da inadimplência persistir, o espaço para expandir crédito sem pressionar margens pode se reduzir.

Em termos práticos, o resultado envia duas mensagens ao mercado e aos formuladores de política: os grandes bancos mantêm capacidade de gerar lucro sólido, mas a deterioração do crédito exige vigilância. A conta — para acionistas, consumidores e para a estabilidade do crédito — dependerá de como o Bradesco equilibrará crescimento e qualidade da carteira nos próximos trimestres.