O governo federal avalia com atenção os riscos de uma escalada na disputa comercial com os Estados Unidos no contexto da aplicação da Seção 301. Na avaliação do colunista que acompanha as negociações a partir de Washington, a retaliação é um instrumento legítimo de política comercial, mas exige decisão técnica e estratégica — não pode ser uma resposta automática motivada apenas pela pressão política.

Especialistas alertam que o recurso à reciprocidade funciona hoje como um “remédio comercial” em um ambiente global em que as regras multilaterais, inclusive as da OMC, perderam estabilidade. Ainda assim, há espaço para diálogo e interlocução técnica: empresas podem pleitear a inclusão de produtos e demonstrar sua essencialidade para o mercado norte-americano, caminho que preserva interesses sem recorrer imediatamente a tarifas punitivas.

O risco prático, porém, é concreto. Uma retaliação mal calibrada tende a penalizar empresas brasileiras que dependem de insumos importados e a criar custos para grupos estrangeiros que investem no país — o que pode se traduzir em efeitos econômicos e políticos negativos domésticos. Nesse cenário, a participação técnica e articulada do setor privado nos fóruns internacionais se mostra central para mitigar impactos.

O episódio das audiências públicas nos EUA expôs outra fraqueza: o envio limitado de observadores pela embaixada foi apontado como insuficiente por atores produtivos consultados. A lição para Brasília é clara: não basta decidir medidas; é preciso preparar uma defesa técnica consistente em Washington e calibrar o tom da relação bilateral. A opção por retaliação pode existir — mas acende alerta sobre custo econômico, exigindo parcimônia e estratégia.