O Brasil caiu sete posições no Ranking Mundial de Competitividade 2026, elaborado pelo IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral, e aparece agora em 65º lugar entre 70 economias avaliadas — o pior desempenho em anos recentes. O recuo sinaliza limitações profundas para elevar o potencial de crescimento do país.
A baixa produtividade é apontada como o principal motor da perda de posições. Um levantamento do FGV Ibre mostrou recuo de 0,5% na produtividade por horas trabalhadas no primeiro trimestre. Indicadores por horas habitualmente trabalhadas e por população ocupada tiveram avanços modestos, de 0,5% e 0,4%, respectivamente — números insuficientes para reverter déficits de produtividade acumulados.
Especialistas consultados apontam entraves claros: déficit de mão de obra qualificada e investimento em educação abaixo do necessário. Segundo o colunista Gilvan Bueno, o país aplica cerca de 5% do PIB em educação, nível inferior ao de líderes do ranking, o que restringe a formação de engenheiros e profissionais essenciais para setores de maior valor agregado.
A alta do custo de capital agrava o quadro. Para Carla Beni, do Corecon-SP e professora da FGV, mesmo com o corte recente de 0,25 ponto percentual que deixou a Selic em 14,25%, o juro real permanece elevado e inibe investimentos. Esse cenário convive com elevado endividamento das famílias: dados da CNC mostram que 81,6% das famílias têm dívidas e a inadimplência atinge 50,5% da população adulta.
O diagnóstico é claro e tem consequências práticas: com indústria reduzida e um PIB concentrado em serviços e commodities, a economia brasileira fica vulnerável a choques externos e dependente de estímulos pontuais. A combinação de baixa produtividade, custo do capital e lacunas na formação profissional complica a atração de investimento produtivo e exige prioridade em políticas públicas que foquem educação, eficiência e redução do custo tributário e financeiro.