O governo brasileiro e a Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) mantêm a expectativa de uma reunião presencial para discutir o chamado 'tarifaço' americano durante a reunião de ministros de Comércio do G20 em Milwaukee, prevista entre 30 de setembro e 1º de outubro. Se confirmada, será a primeira conversa cara a cara desde a retomada dos contatos bilaterais sobre o tema.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, chegou a afirmar que o encontro ocorreria, mas em seguida admitiu ter se expressado mal e relativizou a confirmação, falando em expectativa. A retificação expõe falha de comunicação do lado brasileiro num momento em que a agenda exige precisão e ritmo diplomático.
A retomada do diálogo foi definida em telefonema entre os presidentes em 21 de agosto; na sequência, o chefe do USTR, Jamieson Greer, e Márcio Elias fizeram reunião remota no último dia 31, e encontros técnicos seguem acontecendo. Washington mantém sobretaxas de 25% sobre produtos brasileiros e uma tarifa de 12,5% relacionada a alegações de uso de trabalho forçado, medidas que afetam exportadores e setores como o agronegócio.
Além de buscar solução técnica, a expectativa sobre a reunião em Milwaukee traz um teste político: o governo precisa transformar diálogo em agenda concreta e prazos claros, sob risco de novos custos econômicos e políticos para empresas e para a própria imagem da diplomacia comercial brasileira. A falta de clareza, por ora, acende alerta sobre a capacidade de negociação e coordenação interna.