O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, se reuniu virtualmente com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, para dar seguimento ao encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado em 7 de maio. A interlocução foi celebrada pelos EUA nas redes, que destacaram o “engajamento construtivo” do Brasil para avançar nas questões comerciais.

As conversas integram o grupo de trabalho bilateral criado para tratar de tarifas. O plano inicial previa início imediato dos debates após a visita presidencial, mas foi postergado pela viagem de Trump à China. Segundo o governo, a novidade é que as negociações sobem a um patamar com poder decisório, diferente das discussões técnicas anteriores, que não tinham autoridade para fechar compromissos.

No entanto, o Planalto já reconhece que um acordo robusto dependerá de concessões por parte do Brasil. Esse ponto abre um campo de tensão política: negociações comerciais que exigem contrapartidas podem gerar protestos setoriais e custo político, além de forçar trade-offs entre política industrial e acesso ao mercado norte-americano.

Paralelamente, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, deu sequência à agenda em Paris, onde se encontrou com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. Além de tratar do comércio bilateral, as conversas abordaram impactos do conflito no Estreito de Ormuz e avançaram na proposta de cooperação entre a Receita Federal e a alfândega americana (CBP) para enfrentar crimes transnacionais que se aproveitam do comércio.