O Brasil informou que estuda um novo acordo com a Suécia para aquisição adicional de caças Gripen, afirmou o ministro da Defesa, José Múcio, durante a cerimônia de entrega do primeiro Gripen F à Força Aérea Brasileira em Linköping. A FAB já tem contrato com a Saab, firmado em 2014, para 36 aeronaves com entregas previstas até 2032 — 28 unidades do modelo E (monoposto) e oito do F (biposto).
Além do possível novo lote, o Ministério da Defesa articula a instalação de um centro de tecnologia e desenvolvimento industrial da Saab em São José dos Campos (SP). A Saab mantém acordo de compartilhamento tecnológico com a Embraer; engenheiros e técnicos brasileiros participaram do desenvolvimento dos modelos, e há participação nacional nas etapas finais de produção das aeronaves.
Do ponto de vista fiscal, o projeto F‑X2 tem previsão de R$ 2,1 bilhões no orçamento do Ministério da Defesa: R$ 1,357 bilhão inscritos na Lei Orçamentária Anual de 2026 e R$ 739,5 milhões indicados na portaria nº 184 de maio de 2026. O Brasil já desembolsou cerca de 28,27 bilhões de coroas suecas (R$ 15,3 bilhões) no programa e projeta investir, em média, 2,26 bilhões de coroas suecas (aprox. R$ 1,2 bilhão) por ano até 2032.
A proposta reúne ganhos claros de transferência tecnológica e potencial de atração de empregos qualificados, mas também levanta questões práticas: como serão financiadas eventuais aquisições além do contrato vigente, qual o cronograma de entrega e que contrapartidas industriais efetivas serão garantidas? Em ambiente de restrição fiscal, o governo precisa explicitar prioridades e transparência para justificar novos compromissos.