Em meio a um quadro externo marcado por incertezas geopolíticas, o Brasil tem mostrado desempenho acima da média no comércio internacional, segundo avaliação da Apex Brasil. A agência aponta recorde de exportações e destaca que o país tem sido percebido como fornecedor estável e capaz de combinar escala com qualidade, fatores valorizados por compradores atentos à segurança de abastecimento.
A participação brasileira na Cial, a maior feira de alimentos da China realizada em Xangai, foi usada pela Apex como exemplo concreto dessa aproximação: a delegação cresceu, chegando a 82 empresas — entre cooperativas e produtores da agricultura familiar — e, conforme a entidade, resultou em negócios superiores a US$2 bilhões. O movimento reforça o papel do agronegócio como carro-chefe das vendas externas.
No front bilateral, a China aparece como parceiro estratégico. A Apex observa um desequilíbrio favorável ao Brasil no mercado de carne bovina: enquanto a demanda chinesa supera a produção local, o Brasil mantém e amplia seus rebanhos, posição que, na visão da agência, torna o país competitivo em oferta. Além disso, empresas chinesas teriam prometido investir cerca de R$28 bilhões no Brasil, segundo a mesma fonte.
Há, entretanto, limites a comemorar: a ampliação de mercado e o interesse estrangeiro só se traduzirão em ganhos sustentáveis se vier acompanhada de previsibilidade regulatória e da implementação efetiva de acordos comerciais, como o que vincula Mercosul e União Europeia. A Apex estima que esse acordo pode elevar em cerca de US$1 bilhão as exportações ao bloco — um sinal de oportunidade que depende de tradução em políticas e projetos capazes de atrair e consolidar investimentos.