O Itamaraty informou nesta sexta-feira que notificou os Estados Unidos — por meio dos departamentos de Estado, Comércio e do USTR — sobre o início do processo de reciprocidade em resposta às tarifas anunciadas por Washington. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou que não busca conflito, mas defendeu a medida e manteve a aposta no diálogo com o governo norte-americano.

A operação diplomática brasileira ocorre no contexto de uma ofensiva tarifária dos EUA iniciada em fevereiro de 2025, quando a Casa Branca passou a aplicar alíquotas sobre importações de vários parceiros. O USTR usou a chamada Seção 301 para justificar as medidas, ferramenta que permite investigar e retaliar práticas comerciais consideradas injustas — mecanismo que já motivou reações duras de parceiros internacionais.

Países que responderam ao chamado do tarifão americana viram escalada e, em alguns casos, negociação posterior. A China e os EUA, por exemplo, trocaram aumentos que chegaram a patamares extremos antes de um acordo em outubro de 2025 que reduziu tarifas médias e trouxe concessões mútuas. O Canadá e a União Europeia também adotaram medidas de resposta, com efeito direto sobre cadeias produtivas e setores sensíveis.

Para o Brasil, a notificação é um passo formal necessário à recíproca, mas não garante solução imediata. A movimentação acende alerta sobre riscos de retaliação e custos para exportadores, ao mesmo tempo em que amplia desgaste político caso impactos econômicos se materializem. A alternativa à escalada continua sendo a via diplomática e o engajamento em Washington — tarefa que exigirá coordenação entre governo, setor privado e aliados regionais.