O Produto Interno Bruto brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do IBGE. O desempenho coloca o país em terceiro lugar no ranking internacional de altas trimestrais, atrás apenas da Coreia do Sul (1,7%) e da China (1,3%). A leitura impressiona sobretudo pela combinação de crescimento com um custo de financiamento doméstico muito superior ao praticado por esses concorrentes, que operam com taxas reais bem menores.

A expansão foi sustentada por dois vetores claros: o avanço do crédito e o estímulo fiscal. O setor agropecuário manteve a liderança entre as atividades, com alta de 2%, enquanto indústria e serviços cresceram 1% e 0,5%, respectivamente. O consumo das famílias subiu 1%, sustentado pelo forte apetite por empréstimos. Essa dinâmica mostra eficácia no curto prazo, mas também revela vulnerabilidade: o impulso creditício elevou o endividamento das famílias e o estímulo fiscal pressiona a inflação.

O efeito colateral já está na mesa: a necessidade de conter a inflação mantém o Banco Central com juros elevados, o que reduz o espaço para uma recuperação mais vigorosa do investimento — que segue baixo, com taxa de formação bruta de capital em 16,5%. Em termos práticos, o crescimento atual ameniza ruídos políticos e melhora projeções do FMI — que revisou para 1,9% a estimativa para 2026 —, mas ao custo de maior fragilidade estrutural e maior exposição a choques externos.

Do ponto de vista político e econômico, o resultado dá fôlego momentâneo ao governo, mas complica a narrativa oficial: o ganho de curto prazo depende de medidas que pressionam preços e elevam a dívida, enquanto a baixa taxa de investimento limita ganhos de produtividade no médio prazo. Se o crescimento permanecer atrelado apenas ao crédito e a estímulos, o país corre o risco de ver a melhora estatística sem sustentação duradoura — e com a obrigação de pagar a conta via juros mais altos e maior risco fiscal.