O governo federal deve anunciar, durante missão oficial a Xangai e Pequim entre 24 e 26 de junho, sua primeira emissão soberana de títulos denominados em iuanes — os chamados 'panda bonds'. A iniciativa integra a estratégia anunciada no início do ano de ampliar a presença brasileira nos mercados externos, somando-se à emissão de 5 bilhões de euros captados em abril, a primeira em euros desde 2014.

A agenda, liderada pelo ministro da Fazenda Dario Durigan, também inclui a promoção de instrumentos vinculados à sustentabilidade: leilões de blended finance no programa Eco Invest, o TFFF (Tropical Forest Forever Facility) e avanços no mercado doméstico de carbono. O objetivo declarado pelas fontes é usar essas ferramentas para atrair investimento direto chinês em setores estratégicos, alinhando financiamento externo a metas ambientais.

A operação em iuanes tem sentido financeiro e político. Do ponto de vista técnico, diversificar moedas pode reduzir concentração em dólar e abrir novas bases de investidores. Politicamente, a iniciativa ocorre em contexto de aceno a Pequim — episódio que ganha relevo após atritos entre o Brasil e os EUA — e projeta a necessidade de equilibrar relações externas sem abrir mão de criticidade sobre riscos e dependências.

Ao mesmo tempo, a medida exige transparência e avaliação de custos: emissão em moeda estrangeira expõe o Tesouro a variações cambiais e a perfil de demanda específico do mercado chinês. O Ministério da Fazenda não comentou oficialmente o assunto. A expectativa é que a missão sirva tanto para oficializar a operação quanto para testar receptividade e condições — preço, volume e ancoragem com instrumentos de sustentabilidade — antes de efetivar a oferta.