Pela primeira vez, Brasília ofereceu uma redução efetiva de tarifas para facilitar a entrada de produtos americanos no mercado brasileiro. A proposta, apresentada na reunião do grupo de trabalho montado após o encontro entre Lula e Trump, abrange máquinas e equipamentos industriais e itens de tecnologia da informação que não são produzidos no país.

Integrantes da gestão de Donald Trump estão avaliando a oferta, e a expectativa é de um posicionamento norte-americano na próxima rodada de conversas. O movimento brasileiro tem objetivo explícito: esvaziar possíveis barreiras recomendadas pelo USTR no âmbito da investigação da Seção 301, que trata de práticas comerciais consideradas injustas pelos EUA.

O caráter seletivo da oferta chama atenção. Brasília deixou de fora setores politicamente sensíveis — etanol, agropecuário e mineração — e não propôs rever acordos bilaterais de preferência já firmados com terceiros, como México e Índia. A escolha indica esforço para conciliar concessões externas com limitações internas e proteção de cadeias produtivas domésticas.

Politicamente, a manobra pode reduzir o risco imediato de medidas punitivas americanas se Washington aceitar a trégua setorial. Por outro lado, a seletividade também complica a narrativa reformista do governo sobre abertura comercial: se a oferta for considerada insuficiente, o Brasil poderá enfrentar recomendações do USTR que pressionem Brasília a ampliar concessões ou a negociar sob maior custo político.