O Brasil caiu sete posições no Ranking Mundial de Competitividade 2026, passando a ocupar a 65ª colocação entre 70 economias avaliadas — o pior desempenho recente. O resultado, compilado pelo IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral, coloca o país ao lado de economias com desafios estruturais complexos e serve como retrato de fragilidades que não são apenas conjunturais.

Especialistas ouvidos no levantamento e em entrevistas à imprensa identificam três vetores centrais do retrocesso: o elevado custo de se fazer negócios, a encarecida formação de capital fixo e falhas na educação. Hugo Tadeu, da Fundação Dom Cabral, ressalta que o custo de capital limita expansão industrial e a capacidade de empresas nascentes se consolidarem. Carla Beni, do Corecon-SP, relaciona parte do problema ao movimento brusco da taxa Selic — de 2% para 13,5% em 18 meses — que deixou empresas com dívidas contratadas sob crédito barato agora oneradas por juros bem mais altos, elevando inadimplência e endividamento corporativo.

O relatório também aponta piora nos pilares de desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura. Há custos fiscais que comprimem prioridades estratégicas: a composição orçamentária destacada por especialistas mostra parcela mínima para ciência e tecnologia frente ao peso do serviço da dívida. Esse descompasso limita a capacidade pública de apoiar inovação, infraestrutura e formação profissional, elementos cruciais para melhorar produtividade e atrair investimentos de maior valor agregado.

Apesar de vantagens relativamente estáveis — como potencial em energias renováveis e atração de investimento estrangeiro em certos setores — o diagnóstico é claro: recuperar posição no ranking exigirá medidas concretas e sustentadas. Para além de jargões técnicos, o resultado acende um alerta político e econômico: reduzir o custo de capital, simplificar custos administrativos, revisar entraves regulatórios e fortalecer educação e formação técnica são ações que não apenas melhoram indicadores, mas afetam diretamente emprego, produtividade e receita fiscal no médio prazo. A leitura do documento deve, portanto, orientar uma agenda focada em eficiência e responsabilidade fiscal, e não ser interpretada como um veredicto definitivo, mas como pressão por mudanças estruturais.