O volume de pequenas compras do exterior registradas pelo Programa Remessa Conforme somou R$ 2,6 bilhões em junho, o maior resultado da série com periodicidade mensal mantida pela Receita Federal. O montante só fica abaixo dos R$ 2,69 bilhões do bimestre abril-maio e dos R$ 3,13 bilhões de junho-julho de 2024, em registros acumulados.
A aceleração nas remessas acompanha a revogação, em meados de maio, da alíquota conhecida como 'taxa das blusinhas' — tributo que havia sido implementado em agosto de 2024 e previa cobrança diferenciada sobre compras no exterior. Já em maio as remessas cresceram quase 30%; em junho a alta foi da ordem de 37%. O novo sistema exige que impostos estaduais sejam recolhidos no momento da compra, o que antecipa o processamento aduaneiro e torna as entregas mais rápidas.
Consumidores comemoram a simplificação e a redução de custos, mas o setor privado passou a reagir com força: entidades do setor e a Fiesp pressionaram pelo retorno da cobrança, alegando que a retirada amplia a diferença de tratamento entre empresas nacionais e plataformas estrangeiras. A reclamação central é pela isonomia tributária e pelo risco de concorrência desfavorável às empresas instaladas no país.
Além do impacto no comércio e na logística, os números têm desdobramentos políticos. A melhoria imediata para o consumidor convive com uma reação organizada do setor produtivo, que já pediu intervenção do Congresso. O resultado de junho mostra que a mudança alterou comportamento de consumo e deverá figurar na agenda política e legislativa nas próximas semanas.