O Brasil registrou superávit de US$ 10,5 bilhões na balança comercial em abril, informou o Mdic. O resultado veio após exportações de US$ 34,1 bilhões e importações de US$ 23,6 bilhões, e marcou o maior volume exportado para um mês na série histórica. O total de operações (corrente) também foi recorde mensal: US$ 57,8 bilhões. No acumulado do ano, o saldo está em US$ 24,8 bilhões, um avanço relevante ante os primeiros quatro meses do ano anterior.
Setores industriais puxaram o desempenho: a indústria de transformação exportou US$ 16,4 bilhões; a agropecuária, US$ 9,2 bilhões; e a indústria extrativa, US$ 8,3 bilhões. Do lado das importações, predominaram bens intermediários (US$ 13,5 bilhões), seguidos por bens de consumo (US$ 4,4 bilhões) e bens de capital (US$ 3,2 bilhões). Os números mostram atividade produtiva com dinamismo nas exportações industriais, mas também dependência de insumos externos.
As relações comerciais revelam um ponto de atenção: a China respondeu a 34% do total exportado em abril, com aumento de US$ 2,84 bilhões (alta de 32,5% ante o ano passado); as compras brasileiras de produtos chineses também subiram US$ 1,03 bilhão. Ao mesmo tempo, as vendas para os Estados Unidos caíram 11% (redução de US$ 396 milhões) e as importações norte-americanas recuaram 18% (US$ 683 milhões a menos). Essa concentração geográfica acende alerta sobre vulnerabilidade a choques externos e limita a diversificação de mercados.
Do ponto de vista político e econômico, o desempenho oferece argumento para a agenda de crescimento e para a retórica do governo sobre retomada externa — mas não elimina riscos. O superávit melhora indicadores externos e dá fôlego à conta corrente, porém a elevada exposição à China e a queda com os EUA exigem atenção de política comercial e industrial. Em resumo: números positivos, mas com sinais claros de fragilidade estrutural que podem exigir correções de estratégia.