O balanço de fevereiro do Sistema Valores a Receber (SVR), do Banco Central, aponta R$ 10,554 bilhões disponíveis para devolução a quem “esqueceu” recursos em bancos e outras instituições financeiras. São 47 milhões de pessoas e empresas com direito ao resgate; a consulta é feita no site do BC por CPF ou CNPJ, e o pedido é processado pelo próprio SVR.
Do total, cerca de R$ 8,14 bilhões referem‑se a pessoas físicas. A maior parte dos titulares — 63% — tem saldos entre R$ 0,01 e R$ 10, enquanto apenas 1,99% aparecem com valores a partir de R$ 1.000,01. Instituições bancárias concentram R$ 6,272 bilhões desse estoque; também há montantes em consórcios, empresas de pagamento, cooperativas, financeiras e corretoras.
O estoque cresceu R$ 59 milhões em relação a janeiro de 2026, a menor variação desde setembro de 2025, o que pode indicar uma estabilização do volume pendente — ou dificuldades para converter esse estoque em pedidos efetivos, dado que a maior parte dos créditos é de valor muito baixo. Desde o lançamento do SVR, em janeiro de 2022, já foram devolvidos R$ 14,148 bilhões: cerca de 35 milhões de pessoas e pouco mais de quatro milhões de empresas receberam ressarcimentos.
O fato revela, na prática, uma fricção entre existência legal do crédito e sua recuperação efetiva pelo cidadão. Para uma agenda de eficiência administrativa e de proteção ao consumidor, há espaço para medidas simples, como ampliar a comunicação sobre o SVR, simplificar procedimentos e melhorar a integração de dados entre bancos e o BC — ações que reduzem custos para o cidadão e tiram dinheiro parado do circuito financeiro.