A Braskem informou na noite de terça-feira (28) que recebeu de suas acionistas Novonor e Petrobras as listas de candidatos para a eleição do conselho de administração. Entre os nomes anunciados estão Magda Chambriard, atual presidente da Petrobras, indicada para a presidência do conselho, e Héctor Nuñez, ex-CEO da Novonor, indicado para a vice-presidência. A votação está agendada para a assembleia geral marcada para quarta-feira (29).
A presença da presidente da Petrobras na chapa de comando da petroquímica coloca a participação estatal em posição de destaque na governança da Braskem. Mais do que um rearranjo de nomes, a indicação tende a suscitar debate sobre independência do conselho e sobre o equilíbrio entre interesses públicos e os objetivos de uma empresa listada, sobretudo em setores sensíveis à política industrial e a variações de preços de insumos.
Do outro lado, a indicação de Héctor Nuñez reforça a influência da Novonor no processo decisório, apontando para uma recomposição das forças entre os grandes acionistas. A composição proposta revela a disputa natural por direção estratégica e levanta a necessidade de mecanismos claros de transparência e proteção a acionistas minoritários, para evitar sinais de captura de governança que possam reduzir a confiança no papel da administração.
O resultado da assembleia dependerá das alianças formadas e do apoio dos principais acionistas no dia 29. Se confirmada, a chapa exigirá da Braskem medidas explícitas de governança corporativa para mitigar riscos de conflito de interesse e preservar valor para investidores. Sem essas garantias, a decisão pode ampliar questionamentos sobre o equilíbrio entre controle acionário e proteção dos minoritários, com potencial custo reputacional e econômico.