A Braskem protocolou pedido de recuperação extrajudicial nesta segunda‑feira (24), informando um endividamento de US$ 10,9 bilhões — aproximadamente R$ 56 bilhões — em fato relevante ao mercado. O pedido ocorre após o encerramento do prazo de proteção contra execuções de credores e pode ser convertido em recuperação judicial se não houver consenso entre credores.

A recuperação extrajudicial permite negociação direta com credores, com posterior homologação judicial. Fontes consultadas indicaram que bancos cobraram garantias sobre ativos e a contratação de um empréstimo de US$ 700 milhões, proposta rejeitada pela empresa. Agências como Fitch e S&P já rebaixaram notas da companhia, em meio à aprovação de tutela cautelar pela Segunda Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.

O movimento sucede um cenário setorial adverso: excesso de oferta global, margens comprimidas e demanda mais fraca. Internamente, o custo dos produtos vendidos chegou a consumir cerca de 96% da receita líquida, segundo demonstrações divulgadas pela própria empresa. Há pouco mais de um mês a Braskem vinha negociando ajustes na sua estrutura de capital. O quadro é agravado pelo passivo ambiental em Alagoas — ligado ao afundamento do solo — que atingiu cerca de 60 mil pessoas e resultou na condenação de aproximadamente 14 mil imóveis; a Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público.

Além do impacto imediato sobre acionistas — as ações chegaram a cair quase 15% no pregão em que a notícia foi divulgada —, o pedido acende alerta para credores, fornecedores e para o mercado em geral. A falta de acordo amplia desgaste institucional e pode elevar o custo de capital, pressionando uma reestruturação mais dolorosa caso a negociação extrajudicial fracasse. Resta à empresa demonstrar transparência e velocidade nas negociações para evitar maior deterioração das suas condições financeiras e reputacionais.