A Braskem encerrou o primeiro trimestre com redução de vendas e margens no Brasil, segundo relatório operacional divulgado. As vendas de resinas recuaram 3% em relação ao ano anterior, para 782 mil toneladas, enquanto os principais químicos caíram 2%, a 622 mil toneladas. Os spreads — diferença entre preço de venda e custo da matéria‑prima — registraram queda de 6% nas resinas e 12% nos químicos.

No mercado doméstico, a taxa de utilização do eteno da companhia caiu para 69% em março, ante 74% no fim do primeiro trimestre de 2025, sinalizando maior ociosidade operacional ou ajustes na produção. Em contraste, Estados Unidos e Europa viram utilização de 79% no período (ante 74% em 2025), mas vendas nessas regiões caíram para 496 mil toneladas e o spread recuou 2%, para US$ 368 por tonelada.

O desempenho no México é mais aflitivo: vendas tiveram queda de 25%, para 140 mil toneladas, e a utilização despencou para 55% ante 79% no ano anterior. Ainda assim, os spreads mexicanos avançaram 1%, para US$ 824 por tonelada. O quadro misto — compressão de margens no Brasil e queda de volumes em mercados-chave — limita margem de manobra financeira e operacional da empresa.

Para investidores e gestores, os números acendem alerta sobre a necessidade de ajustes na gestão de capacidade, preço e custos. A combinação de menores spreads e utilização reduzida no Brasil pressiona rentabilidade e exige medidas claras de eficiência ou reajuste comercial. A próxima janela de resultados deverá mostrar se a Braskem consegue traduzir essas informações operacionais em recuperação sustentável.