O presidente do BRB, Nelson de Souza, afirmou nesta terça-feira (9) que o banco regional pretende publicar o balanço referente a 2025 até 30 de junho, mas condicionou a divulgação à solução de pendências contábeis e regulatórias. A declaração foi dada após audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e frente a um ambiente de maior atenção sobre a liquidez da instituição.

A necessidade de capital é explícita: o BRB precisa de R$ 8,8 bilhões para recompor índices de saúde financeira. Do total, R$ 6,5 bilhões seriam captados por meio de empréstimo junto ao FGC, enquanto R$ 2,2 bilhões viriam de recursos obtidos pelo GDF com a securitização da dívida ativa. A liberação do crédito do FGC depende ainda de aprovação de projeto pela Câmara Legislativa do Distrito Federal.

O acordo que permite o empréstimo foi ratificado em decisão homologada pelo STF e prevê garantia por um sindicato de bancos do chamado grupo S1. Além da negociação financeira, o BRB aguarda a conclusão de uma auditoria contábil que valide o trabalho de uma auditoria forense independente sobre operações com o Banco Master — a auditoria forense foi concluída em 31 de março.

O atraso na entrega do balanço, cujo prazo final original era 31 de março, tem custo reputacional: o banco já sofreu dois rebaixamentos de rating pela S&P Global em menos de três meses. Para além da técnica contábil, a situação coloca o GDF sob pressão política para aprovar o aporte e força o BRB a acelerar medidas para restaurar confiança — um cenário que, se prolongado, pode agravar a corrida por liquidez e elevar o custo de retomada financeira.