O Banco de Brasília (BRB) aprovou em assembleia geral extraordinária proposta de aumento de capital por subscrição privada, com preço de emissão fixado em R$ 5,36 por ação. Atualmente com capital social de R$ 2,344 bilhões, a instituição prevê elevação mínima para R$ 2,88 bilhões e, na hipótese máxima de subscrição, o capital subiria para R$ 11,161 bilhões — um acréscimo de até R$ 8,817 bilhões.
A oferta será restrita a acionistas atuais, o que limita a entrada de novos investidores e concentra o ônus na base existente. A assembleia havia sido adiada em março após questionamento judicial sobre projeto da Câmara do DF que permitiria usar imóveis do governo local como garantia ao banco; o BRB também postergou a divulgação de seu balanço, agora prevista para 29 de maio, segundo fontes.
A decisão ocorre no rastro de uma auditoria independente que detectou operações ligadas ao Banco Master no montante de cerca de R$ 21,9 bilhões. Parte desses ativos — R$ 1,9 bilhão — já foi negociada no mercado; o restante será transferido à Quadra Capital por R$ 15 bilhões, com pagamento à vista estimado entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões e parcela posterior de cerca de R$ 11 bilhões a R$ 12 bilhões.
Essas medidas criam uma via para liquidez imediata e para monetização futura que, segundo fontes, podem reduzir a necessidade do aporte de R$ 6,6 bilhões pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Politicamente, o movimento expõe a gestão do BRB e o governo do Distrito Federal a pressões: dependência da venda de ativos e da monetização de cotas impõe riscos à recomposição patrimonial e exige transparência sobre efeitos contábeis e fiscais.