O BRB aprovou nesta quarta-feira uma proposta que pode elevar o capital social do banco regional para até R$ 11,161 bilhões, na oferta por subscrição privada. Em paralelo, a instituição aguarda retorno do FGC sobre um pedido de empréstimo de R$ 6,6 bilhões e já sondou bancos privados em busca de aporte, segundo fontes. A movimentação é a resposta direta à auditoria que identificou operações com o Banco Master no total de R$ 21,9 bilhões, decorrência que acelerou a necessidade de reforço de capital.
A administração também acertou a venda de ativos relacionados ao Master à Quadra Capital por R$ 15 bilhões, operação que prevê pagamento à vista entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões — liquidez imediata para o BRB — além de parcela subjetiva, de cerca de R$ 11 bilhões a R$ 12 bilhões, em cotas do fundo e monetização futura. Do portfólio originário, R$ 1,9 bilhão já haviam sido colocados no mercado. Fontes ouvidas consideram que esses recursos podem reduzir a dependência do aporte do FGC.
Os números do aumento de capital foram detalhados pela direção: o capital social deve saltar do atual R$ 2,344 bilhões para, no mínimo, R$ 2,88 bilhões, com emissão das ações a R$ 5,36 e subscrição restrita a acionistas. A assembleia extraordinária prevista para março foi adiada após questionamento judicial ao projeto que autorizava uso de imóveis do governo do Distrito Federal como garantia — pauta que tocou diretamente em riscos fiscais e políticos. O balanço de 2025 foi remarcado para 29 de maio.
A combinação de venda de ativos, aumento de capital e diálogo com o FGC e bancos privados dá ao BRB alguma folga imediata, mas não resolve todas as questões. Fica no ar a necessidade de transparência sobre a qualidade dos ativos transferidos e a clareza jurídica das garantias propostas. Politicamente, a tentativa de usar imóveis públicos como lastro e o esforço por capital privado expõem o banco e o governo do DF a escrutínio sobre responsabilidade fiscal e governança — itens decisivos para recompor confiança junto a investidores e clientes.