A governadora do Distrito Federal afirmou neste domingo que a capitalização do BRB está em curso, mas evitou detalhar a origem dos recursos. O banco regional precisa de R$ 6,6 bilhões e o governo local protocolou pedido junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Por limitações legais — inclusive a impossibilidade de usar imóveis como garantia — a administração do DF busca alternativas para viabilizar a operação.
A área econômica federal já sinalizou que o uso do Fundo Constitucional do DF como contraparte poderia permitir a entrada do Tesouro Nacional como garante: na prática, a União pagaria em caso de calote e seria ressarcida com recursos do fundo. A equipe econômica vê essa contrapartida como a única via viável para envolver o Tesouro, diante da nota C na avaliação de capacidade de pagamento (CAPAG) do DF, que afasta garantias federais convencionais.
A necessidade de capital decorre, em parte, das operações irregulares que envolveram o BRB e o Banco Master. A instituição ainda não divulgou o balanço de 2025, com expectativa de publicação até 29 de maio, e o pedido ao FGC está em análise. Fontes indicam que o banco também sondou instituições privadas, mas o prazo e a sensibilidade do mercado aumentam a pressão por uma solução rápida e crível.
Do ponto de vista fiscal e político, a opção por usar o Fundo Constitucional como lastro transfere risco para a União e cria precedentes relevantes: além de pressionar as contas federais, a medida pode encalhar o fundo que atende prioridades do DF. A administração local precisa apresentar cronograma claro e garantias de preservação de recursos públicos; sem isso, o episódio tende a ampliar desgaste político, aumentar desconfiança de investidores e complicar a relação com o governo federal.