O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou nesta terça-feira (9), em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que a instituição foi o “mais fraudado” no escândalo envolvendo o banco Master. A declaração serviu para justificar a reestruturação em curso e o pedido de socorro financeiro.
Souza reafirmou que a provisão necessária alcança R$ 8,8 bilhões e explicou que a principal alternativa apresentada é um empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), combinado com securitização de dívida do Distrito Federal. O BRB solicitou formalmente R$ 6,6 bilhões, mas admitiu que os termos dependerão do credor.
O presidente defendeu a viabilidade operacional do banco: disse que sua gestão visa evitar uma liquidação do BRB e que a instituição tem condições estruturais de permanecer em pé. Segundo Souza, com o período de carência pleiteado, a expectativa é de lucro anual superior a R$ 1 bilhão a partir de 2027/2028.
O caso tem implicações fiscais e políticas. A utilização do FGC e a securitização transferem risco e geram pressão sobre as contas do Distrito Federal, além de aumentar o escrutínio sobre governança do BRB e sobre a atuação de reguladores. Parlamentares da CAE montaram um grupo de trabalho para acompanhar as investigações.
Mais do que ajustes contábeis, o episódio exige respostas claras sobre falhas de controle que permitiram perdas em escala e sobre quem arcará com os custos. A dependência de um empréstimo com termos ainda não definidos mantém incertezas e transforma o caso em tema sensível para a gestão pública e para a agenda fiscal do DF.